Qual o tamanho da sua mentira? (apropriação)
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Rafael RG e Davi Flores
11° Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo
2007
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Uma obra. Uma brecha. A presença performática de uma dupla de artistas numa atitude de contestação e reivindicação de impacto poético.
Não se importando com burocracias institucionais ou supostas aceitações, a urgência de viver, fazer e mostrar arte se faz presente pela performance tendo como estímulo e pretexto a obra de um outro artista que também trabalha com essa mesma linguagem.
Apresentada no 11° Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo, a obra “ Qual é o tamanho de sua mentira? ”, do artista Antônio Gonçalves de Mello Neto, gerava uma certo descontentamento pela dúvida com relação a sua configuração. Não se sabia se o performer estava ou não no recinto do salão, muito menos se sua performance tinha como proposta a presença ou a não-prenseça do artista. Essa desconfortável dúvida adicionada ao próprio incômodo da hipotética e simplista suposta não-ação no trabalho de Mello Neto causou indiganação na dupla.
Movidos por esse questionamento, a dupla de artistas se dirige à parede branca onde se encontra o adesivo com as informações da obra de Antônio Gonçalves de Mello Neto. Cada um se posiciona em um dos lados do adesivo, com seus corpos levemente escostados à parede branca, um de frente para o outro. Esse foi o estopim para, a partir daí, iniciarem um ensaio performático onde a proposta era criar uma relação de ação e reação gestual entre a dupla, ensaio este que durou por volta de 45 minutos.
O público agarrou a proposta e, um tanto desinformado, acreditou que a ação performática que acabava de acontecer era de fato o trabalho de performance inscrito no salão quando, na verdade, o que se apresentava a seus olhos era apenas uma intervenção.
Mentira? Verdade? Brincadeira? Sem nenhuma prévia intenção ou pretensão, essa proposta interventiva criou outras dúvidas e gerou mais questões sobre “ Qual é o tamanho de sua mentira? ”.Só uma coisa é concreta: a presença da ação tem seu impacto.
E numa era onde produtos, obras e significados perdem seus limites e suas importâncias, o impacto serve para nos alertar que há muito mais além das aparências e das previsíveis apresentações.
Nesse ponto, o artista contemporâneo é muito mais que um fazedor de idéias e objetos, mas um propositor de diálogos e reflexões, tendo como responsabilidade o cuidado e esmero na produção e apresentação desse trabalho.
Assim, a obra transcende o show, o espetáculo ou a sua estaticidade objectual e atinge os campos mais sensíveis e intensos do pensamento e dos sentimentos, gerando não só simples fruições, mas formação de cultura e incontáveis, ímpares ligações de significado.
Enquanto exister urgência haverá arte. E quando parecer que não existe mais, há quem estará ali para trazer uma nova questão.
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